segunda-feira, 10 de maio de 2010

Reflexão sobre a reflexão

Cheguei de JP agora há pouco. Verificando o e-mail concluí que terei uma semana cheia. Tão cheia que nem sei se dará tempo pra continuar a reflexão que vinha desenvolvendo esse final de semana. Sobre essa teia de relações que tecemos ao longo da vida, sobre os espaços que cada um de nós, centro de nossos prórpios universos, reservamos para as pessoas que passam pela nossa vida enquanto passamos pelas delas. A sequência de decisões que venho tomando a cada dia estão cada vez mais subjugadas aos meus laços afetivos. Corro riscos, tomo consciência de injustiças, mas não há como fugir delas. O futuro é traçado após a escuta de uma simples frase e o amor nos leva outra vez.
Mas eu quero mais é que se dane o futuro e todos os planos sobre ele, pois no final eu terei, apenasmente, vivido. E não morrido.
Pois já diria Maitê:
não se morre de intensidade. morre-se, ao contrário, pelo embrutecimento.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Nota

Ganhei uma vez, há alguns anos atrás, um livrinho com a história do Corcunda de Notre Dame que vinha acompanhado de uma fita k7. Eu lia e ao mesmo tempo que lia ouvia a história dramatizada na fita.
Hoje me peguei lendo e ouvindo Emmanuel Marinho, poeta. Ouvir sem ler não daria, pois atentamos melhor para o significado de seus poemas musicados. O contrário também seria inviável, pois parte da beleza da obra está na música.

mas que bom que não perdi o hábito.

Freedom, freedom

O espírito da Liberdade bateu aqui ontem.
Ele é intenso, revigorante e traz aquela alegria de viver.
Espero que esse Rosário de Piscadas comece, finalmente, a piscar.

sábado, 1 de maio de 2010

Aquele animalzinho que todo mundo acha asqueroso, eu sempre achei bonitinho

O que é o que é... pequeno, peludo, tem asas, mas não é pássaro, tem caninos que lembram vampiros, dorme de cabeça pra baixo e só sai à noite?

Ele é tido como o único mamífero que tem asas.
E
Jards Macalé - um morcego na porta principal
?
Parece que tentaram cortar as asas do morcego mais sem noção, mais de esquerda, mais genial, mais autêntico, mais honesto deste país.
Pensam que conseguiram, coitados.

Agora, voltando ao bom senso e escrevendo de forma entendível.
Há um tempo atrás foi transmitido pelo Canal Brasil (salve!) o doc. supracitado. Eu resolvi assistir por que na propaganda aparecia a Betha como uma das depoentes, aquelas pessoas que são convidadas a falar sobre a figura tratada no documentário. Pensei, "só pode prestar um negócio desses, ela não é de aparecer em qualquer canto". E não me enganei. Me apaixonei pelo cara! Inacreditável, unbelivable! Nem toda loucura é genial, mas a dele certamente é genuína, legítima. Algumas cenas:
#Durante a ditadura militar ele fez um show sentado uma privada no MASP.
#Queria e fez uma mobilização para que fosse inserido no tema da bandeira nacional a palavra "amor" pois, como ele alega, o lema positivista original a contém: o amor por base, a ordem por princípio e o progresso por fim.
#Foi o violonista do Show Opinião.
#É o compositor da música que relata o meu drama existencial, "Movimento dos Barcos", gravada por Betha no Rosa dos Ventos (apenash).
#E outra, ele tem uma maneira de tocar violão que eu nunca tinha visto na minha life! Ele tá cagando prs acordes, vai tocando como dá na telha e o pior é que dá certo! E cantando então? desestrutura completamente a música e vai fazendo, fazendo, fazendo até só Deus sabe quando. Comentando com Regina ela me falou que, na verdade, ele é discípulo de um mestre maior, um negão chamado Ithamar Assumpção. Me emprestou um disco dele que quanto mais ouço mais gosto. Pelamordedeus, ouçam-no, e perdoem a apelação aqui, mas é que vale a pena.
Macalé sempre foi considerado um artista maldito (claro), do mesmo jeito que Castro Alves. Mas ele tá cagando pra quem o chama assim.
Enfim, se puderem assistam ao doc. também e se apaixone como eu.

Uma palhinha... http://www.youtube.com/watch?v=dusO5vIbOoE

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Alice

Ruiz



este sinal de batom
num guardanapo
pode bem ser de um beijo
mancha num trapo
pode querer dizer nada
ou então dizer
que eu te aguardo
a boca num pano mudo
papel que faço
desejo pano de fundo
que eu disfarço
dor que nem bem se escondeu
e ninguém vê
ou só eu
e alguma tarde
você