terça-feira, 7 de setembro de 2010

Da enunciação

Não queria fazer A Troca da Lígia Bojunga e agora tenho uma teoria científica para explicar meus motivos. Bakhtin, o próprio, disse que quando se vai expressar alguma ideia, ela perde a sua pureza. E isso porque, entre outras coisas, fica condicionada aos signos -- sociais, eis o maior problema -- pelos quais é traduzida. Nunca conseguimos explicar exatamente o que pensamos e, na minha opinião, a coisa fica diminuída. Falo da dimensão para o prórpio ser pensante mesmo.Enquanto era só atividade mental, ok, mas no momento em que sai, expresso, a coisa perde o seu valor.Ou talvez esse seja mesmo o efeito d´A Troca, mas ao invés de me sentir aliviada, como a menina-escritora, me sinto ridícula, pequena.
Isto posto, não iremos aos fatos.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Quase lá

Hoje é daqueles dias em que acordo com a alma baranga. Feia não, o cão. Mas, enfim, isso passa. É que, como cantaria a Ná Ozzetti, "falta alguma coisa em mim...
mas eu preciso decidir rápido por que já estou ficando atrasada"
Kamikase, suicída, não importam as consequências, desse final de semana não passa.
E tenho dito.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Uma dose de testosterona

Não foi num bar, não foi numa clínica, foi por osmose. E quase que tive um entendimento pleno da poesia sexy/erótica de Elisa Lucinda. Ele é mais novo. É simples, gentil, esforçado. E me emocionou. Me senti atraída por esse garoto, a coisa física mesmo que atrai a mulher ao bicho homem. Mas uma vontade de cuidar, de ensinar, de tocar sua pele já um pouco lanhada pelos dias. E o que me leva a escrever aqui sobre isso nada mais é que a surpresa desse instinto, que até agora eu desconhecia.








Hoje tive a minha primeira aula de violoncelo. Amei. A sensação do contato do instrumento no meu corpo, maravilhosa. A vibração que reverbera neste meu corpo que foi feito para as cordas é uma sensação de... vida. Vida pulsante.



Andei, por andar andei, e todo caminho deu no mar.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Conto nº 1


fábula: o elefante e a formiga


Era uma vez uma formiginha bem pequenininha, e um elefante bem grandão.
Um dia a formiguinha ia andando alegremente quando de repente viu o elefante correndo atrás dela "eu vou pegar você!"
Então, a formiguinha correu e se escondeu num buraquinho, que era a casa dela. O elefante tentou entrar lá, mas como era muito grande não coube. Então se abaixou, olhou pelo buraco para a formiguinha e disse "eu vou embora, mas depois eu volto pra pegar você"
A formiguinha ficou bem quietinha, escondida na sua casa, esperando o elefante ir embora. Esperou, esperou... depois de um tempo, olhou pelo buraco e viu que ele tinha mesmo ido embora. Então, bem de fininho, foi saindo do buraco. Entõa, feliz, continuou caminhando até esquecer do elefante.
Mas quando menos esperava, viu o elefante correndo atrás dela "eu vou pegar você!". Então ela, novamente, correu e se escondeu no buraquinho bem a tempo dele alcançá-la. E mais uma vez esperou bem quietinha enquanto o elefante bufava de raiva e ia embora.
Depois da terceira tentativa, o elefante desistiu. Cançado, se encostou por ali mesmo e cantou para a formiga
"enquanto você dorme numa cama
fofinha, fofinha
eu durmo numa cama sem colchão
- toda de pau
e moro numa taperinha"

terça-feira, 27 de julho de 2010

A cama

na madrugada de ontem


Era bom aquele lugar do qual me recordo agora não sei por que. Nunca sabemos onde a meada desenrolará seu fio de pensamento naquele estágio de pré-sono. E não posso dizer que para por que continua, mas acabou chegando ao sítio da minha infância. Jamais hei de dormir melhor sono que os daquelas noites sertanejas. Nunca nenhuma outra cama me acalentará tão gostosamente quanto aquela velhinha, rangendo a velhice, desbotando o branco da tinta velha. Já na época eu dizia que preferia mil vezes aquela à de meu quarto oficial. “Então vamos trocar”, minha mãe dizia. Mas claro que fora do contexto a cama não teria o sabor igual. Me lembro que na hora de dormir eu me deitava, pedia meu leite com chocolate a mainha e depois do boa noite eu me encolhia sob o lençol fino e quentinho que até hoje guardo comigo; e enquanto os adultos continuavam na sala vendo a televisão pessimamente sintonizada, eu ouvia os sons da noite. Ouvia o uivo sinistro do vento pela fresta da janela. Ouvia o cantar agourento dos pássaros da noite. Ouvia o chocalho das vacas no curral a diante e por vezes jurei ouvir o barulho de uma criatura mágica que morava os sítios e a quem meu pai chamava Comadre Fulôrzinha. Por outras, via refletido no chão o reflexo de uma luz cuja origem nunca consegui encontrar em canto algum do céu. Depois imaginava lagos encantados escondidos por detrás das árvores que se seguiam para além da casa e cavalos lindos e brilhantes (eu gostava de cavalos) muito parecidos com os da animação contida no meu vídeo de primeiro aninho. E enquanto me aventurava em sua companhia perdia o fio do pensamento até adormecer como faço agora. Mas a cama