sexta-feira, 25 de março de 2011

Foi no mês que vem

de Vitor Ramil, um compositor a quem fui (muito bem) apresentada.

Vou te vi
Ali deserta de qualquer alguém
Penso, logo irei
Que seja antes minha que de outrem
Quando o vento fez do teu vestido
Um dom que Deus te deu
Claro que eu rirei
Ao vendo o que outro alguém não viu
Vou andei
E me chegando assim te cercarei
Digo, aqui tô eu
Que te amo e às tuas pernas quero bem
Já que estamos nós
Te sugeri-me então o que fazer
Claro que eu beijei
Ao tendo o que outro alguém não quis
E tudo isso
Foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Foi na hora em que eu te vi
E mais que tudo
Foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Na hora em que eu te quis
Vou fiquei
No teu chegado e tu chegada ao meu
Penso, grande é Deus
Um paraíso prum sujeito ateu
E pensando assim
Farei aquilo que o teu gosto quis
Claro, eu já ganhei de volta
Tudo o que eu quiser
E tudo isso
Foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Foi na hora em que eu te vi
E mais que tudo
Foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Na hora em que eu te quis

foi assim, tem sido e continuará sido. e mais não digo.

sábado, 19 de março de 2011

Fumei, mas não traguei

e ainda assim fico selé.

quinta-feira, 3 de março de 2011

saudade marítima

a vertigem nasce no ponto G da palma das mãos e ruma até as entranhas do baixo-ventre.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

De peixes

Sabe um peixe? Desses que vivem no mar? Então. Essa história é sobre um que vivia no ar. Nasceu ouvindo dizer que era pássaro e, como tal, permaneceu com a existência sendo carregada por correntes que o levavam aos lugares aonde são levados os pássaros que se prezam. Mas, no caminho que o levava a esses lugares, sempre reparava num brilho forte que vinha d’algum lugar abaixo de si e que o acompanhava desde a sua primeira viagem de pássaro. O brilho vinha de uma coisa grande, que ele não conseguia dinstinguir, mas que se agigantava horizonte afora em pura luz. Um dia ele ouviu, sem querer, numa dessas conversas que ave-grande promove e que só ave-grande entende, que aquele brilho vinha de uma coisa chamada "Mar", onde viviam criaturas desconhecidas, seres perigosos, devoradores de pássaros - vejam bem: peixes devoradores de pássaros. Mas o nosso peixe aqui era dado a reflexões de cunho filosóficocríticometafórico e pensou ora, mas se “mar” se parece tanto com “ar”, se são distintas apenas por uma letra de sonoridade quase muda, ora, se nós, pássaros, vivemos no ar não podemos ser muito diferentes das criaturas viventes do mar e o que nos separa é apenas um quase-silêncio. Foi com esse pensamento que o nosso amigo resolveu desbravar o mar e, na primeira oportunidade, tomou rumo. Sem bem saber como fazia, rasgou o ar numa velocidade meteórica e, como num arrebatamento, mergulhou nas profundezas de um universo totalmente novo e – pasmo percebeu – totalmente seu! Sentiu suas vias respiratórias relaxarem como nunca havia sentido; deixou-se levar pelas correntes marítimas com a naturalidade de quem nascera pr’aquilo; nadou numa velocidade infinitamente maior com a qual jamais voara.
E sentiu-se bem. Sentiu-se ele. Sentiu-se peixe.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Cometimento

Entre a morte e a nudez.
O espelho do quarto diz que está particularmente bonita.
Estarão à sua espera.
Solta a correia. No banheiro público se maqueia,
se perfuma.
Coca-cola pra tirar o fel da boca. O desconhecido por destino.
A clandestinidade por carro-forte. A maré é cheia, a lua amarela
e a chuva um excelente respiradouro.
O primeiro beijo é salgado,
o segundo é tinto,
o terceiro pró-logado.
Menage: ela, eu e Giorgio.
Natural como respirar. O toque. O relaxamento e a consciência do universo ao redor.
As mãos que se afagam. Os corpos que se unem.
Séria? Não. é que eu gosto de te observar.
Raios, trovões, deuses que conclamam esta noite.
Bis.
Não quero ir embora. O último beijo a 500 metros da verdade.
Sonho delírio mentira onírica verdade inusitada.
Gostei. gostou.
O cheiro que de algum lugar em mim exala surpreende e entontece.
O sexo que lateja.
Novamente: sonho?
Não. é que somos capazes do que menos supomos ser e o acaso faz por onde.
Esse poema não traduz a verdade e a delícia do cometimento.
Aos 19.
Quem é essa?