mas afinal o que tanto procuras
que não estava lá
nem esteve aqui
e o que pensas encontrar na volta
e nesse leva-e-traz
o que fica
e o que sobra
satisfaz?
quinta-feira, 3 de julho de 2014
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Em 10 de fevereiro, no dia seguinte ao que voltei de viagem
'Eu vim a Campina Grande diretamente da barriga de minha mãe - barriga que já nem existe mais, embora às vezes me dê uma vontade louca de voltar pra lá. E parti, anos depois, em busca de outras paragens que eu pudesse provar, aprovar, talvez desaprovar. Cheguei a Porto Alegre, que foi o lugar mais distante que consegui ir de início. Hoje, se me perguntam porque escolhi esta cidade, digo simplesmente: pela distância. E a mesma distância-motivo de minha partida é, agora, razão triste para muita saudade. Nessa terra estrangeira, não sou amiga do rei, tampouco de muitos plebeus. Aqui, nada-se, nada-se e morre-se na praia das relações. Aqui nada-se num não-mar (meu mar, cadê?) destemperado, descompensado, de estações mui radicais, intensas - e vida nem tanto assim. Se a minha terra é seca, esta aqui é estéril em muitos sentidos. E me deixa, ilhada que estou de minhas referências, propensa a erros, equívocos que tem por consequência crises de surto, de ansiedade. À minha magra silhueta sua culinária, tão pobre em variedade, também não faz bem. Cadê a pamonha, a carne de sol, a tapioca, o bolo de milho, de macaxeira, o pãozinho fresco, o arrumadinho, a peixada, etc., etc.?
No mais, agora é esperar o último caminhão, que parte sabe lá Deus quando, de volta pro meu Nordeste.'
Numa virtual (possível!) reapresentação do Como se fosse [im]possível ficar aqui, atualização de um dos trechos finais.
No mais, agora é esperar o último caminhão, que parte sabe lá Deus quando, de volta pro meu Nordeste.'
Numa virtual (possível!) reapresentação do Como se fosse [im]possível ficar aqui, atualização de um dos trechos finais.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Sobre aquela com quem tenho sonhado às noites, invariavelmente
Quero de (amo em) ti o gosto pela Vida.
(M. Yourcenar adaptada)
(M. Yourcenar adaptada)
terça-feira, 29 de outubro de 2013
As lágrimas do 'Evangelho'
d'O evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago:
'Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por este mesmo e único motivo.' -- p. 83
'(...) o infante Jesus acordou, mas agora a valer, que antes mal abrira os olhos quando sua mãe o enfaixara para a viagem, e pediu alimento com a sua voz de choro, única que ainda tem. Um dia, como qualquer de nós, outras vozes virá a aprender, graças às quais saberá exprimir outras fomes e experimentar outras lágrimas.' -- p. 96
'Chua, então, já não chorava, mas os seus olhos nunca mais voltarão a estar secos, que esse é o choro que não tem remédio, aquele lume contínuo que queima as lágrimas antes que elas possam surgir e rolar pelas faces.' -- p. 149
'Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por este mesmo e único motivo.' -- p. 83
'(...) o infante Jesus acordou, mas agora a valer, que antes mal abrira os olhos quando sua mãe o enfaixara para a viagem, e pediu alimento com a sua voz de choro, única que ainda tem. Um dia, como qualquer de nós, outras vozes virá a aprender, graças às quais saberá exprimir outras fomes e experimentar outras lágrimas.' -- p. 96
'Chua, então, já não chorava, mas os seus olhos nunca mais voltarão a estar secos, que esse é o choro que não tem remédio, aquele lume contínuo que queima as lágrimas antes que elas possam surgir e rolar pelas faces.' -- p. 149
terça-feira, 15 de outubro de 2013
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