Vinícius: às vezes eu sinto uma saudade fodida...
Júlia: algum preço a gente tem que pagar quando resolve fingir que a vida voltou ao normal.
Cátia: saudades não são soluços nem solução pra espera.
Zélia: e ninguém aqui vai notar que eu jamais serei a mesma.
Fernando: a vida sempre me foi pouco ou demais, não sei qual.
Álvaro: Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
[...]
de resto eu mesma falo, tá?
ou não. tudo tão bom, tudo tão merda.
tanta informação, tanto o que fazer, tanto o que esperar, tanto o que escolher, tanto qu'inda vem
tanta vontade de tudo largar.
livro novo que já cheira a velho.
ando tão atrevida, tão mais solta, tão não atendo o telefone, tão não paro em casa, tão trabalho, tão burocracia
enquanto isso lá o mundo não gira, ou só gira em redor de
e ainda assim tão ninguém
mais solta de?
ciclos se fecham e se abrem
numa sequência louca que me pega
desapercebida
vejo coisas e fico passada. passada. passada.
porra, não sou Deus!
é tudo uma merda.
e enquanto isso eu estou cá eu sei como, cá como veem
e não me importo que vejam, sou honesta comigo
mas, porra...
[...]
Nayara: As saídas estão na minha frente, mas não consigo alcançá-las. A janela abre para o mundo. Olho. Perco a coragem.